A Diocese de Ponta Grossa realizou, no último sábado, 13 de junho, a 17ª Assembleia Diocesana de Pastoral, reunindo cerca de 380 representantes de todas as 52 paróquias, além de pastorais, movimentos, organismos diocesanos, diáconos, leigos e membros do clero. O encontro foi organizado pela Coordenação Diocesana de Ação Evangelizadora e aconteceu no auditório do Colégio Sagrada Família, sede Auxiliadora.
As atividades iniciaram com a celebração da Eucaristia na matriz da Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora, presidida pelo bispo diocesano, Dom Bruno Elizeu Versari. Ao longo do dia, a programação contou com momentos de oração, reflexão, trabalhos em grupo e partilhas, em clima de escuta, discernimento e comunhão.
No ano em que celebra seu centenário, a Diocese foi convidada a olhar para a própria história, reconhecer os frutos da caminhada pastoral e preparar os próximos passos da evangelização. A Assembleia teve como objetivo acolher as novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil 2026-2032 e iniciar o caminho de construção do novo Plano Diocesano de Pastoral.
Durante o encontro, Dom Bruno apresentou os principais pontos das Diretrizes, que irão iluminar a caminhada pastoral da Igreja no Brasil nos próximos seis anos. Mais do que um documento de orientação, as DGAE propõem uma Igreja marcada pela comunhão, participação, missão, acolhida e compromisso com a vida.
Entenda os principais pontos apresentados
1. A Igreja como tenda do encontro
A imagem central das novas Diretrizes é a “tenda do encontro”. Ela ajuda a compreender a Igreja como espaço de acolhida, proximidade e esperança. A tenda recorda uma Igreja que não se fecha em si mesma, mas que se alarga para acolher, escutar e caminhar com o povo de Deus.
Essa imagem também aponta para uma Igreja em movimento, capaz de reconhecer as dores, os desafios e as esperanças do tempo presente, sem perder de vista o anúncio de Jesus Cristo.
2. Escutar os sinais dos tempos
As Diretrizes convidam a Igreja a olhar com atenção para a realidade. Isso significa reconhecer os desafios que ferem a dignidade humana, como a pobreza, a violência, a polarização, a exclusão, a crise climática e tantas formas de sofrimento presentes na sociedade.
Ao mesmo tempo, o documento convida a perceber os sinais de esperança: a solidariedade, o compromisso das comunidades, o testemunho dos leigos, a força das pastorais e a presença viva de tantos homens e mulheres que continuam servindo e anunciando o Evangelho.
3. Caminhar como Igreja sinodal
A sinodalidade é uma das grandes marcas das novas Diretrizes. Ser uma Igreja sinodal significa caminhar juntos, escutar mais, discernir em comunidade e fortalecer a corresponsabilidade de todos os batizados.
Na prática, isso exige valorizar os conselhos pastorais, as assembleias, os processos de escuta, a participação dos leigos, o protagonismo das mulheres, dos jovens, das famílias, das pessoas com deficiência e de todos os sujeitos da missão.
4. Todo o povo de Deus em missão
As Diretrizes recordam que a missão não pertence apenas ao clero ou a alguns grupos específicos. Pelo Batismo, todos são chamados a participar da vida e da missão da Igreja.
Leigos, ministros ordenados, famílias, crianças, adolescentes, jovens, idosos, pessoas com deficiência, vida consagrada, pastorais, movimentos e comunidades inteiras são chamados a assumir seu lugar na evangelização. Na tenda da Igreja, todos têm espaço e todos são convidados a colaborar.
5. Caminhos concretos da ação evangelizadora
O documento também apresenta caminhos pastorais para orientar a missão das comunidades. Entre eles estão a centralidade da Palavra de Deus, a Iniciação à Vida Cristã, o fortalecimento das comunidades de discípulos missionários, a liturgia, a piedade popular e o serviço à vida plena.
Também aparecem como dimensões importantes a opção preferencial pelos pobres, a formação dos discípulos missionários, o cuidado com a Casa Comum, a promoção da vida e a atenção às realidades concretas das comunidades.
6. Paróquia como rede de comunidades
Um dos pontos destacados é a compreensão da paróquia como rede de comunidades. Isso significa olhar para a paróquia não apenas como um centro de serviços religiosos, mas como uma comunidade viva, formada por diferentes expressões de fé, pequenas comunidades, pastorais, movimentos, conselhos e lideranças.
Essa compreensão ajuda a fortalecer os vínculos comunitários e a tornar a ação evangelizadora mais próxima da vida das pessoas.
7. Compromissos sinodais
As Diretrizes também apontam para compromissos concretos. Entre eles estão o fortalecimento dos conselhos pastorais e econômicos, a conversão das relações, a melhoria dos processos de participação, a valorização dos vínculos comunitários, a comunicação evangelizadora e o cuidado com os mais vulneráveis.
Esses compromissos ajudam a Diocese a pensar não apenas o que fazer, mas também como caminhar: com mais escuta, corresponsabilidade, comunhão e espírito missionário.
Um caminho que começa agora
A 17ª Assembleia Diocesana de Pastoral não encerra um processo. Ao contrário, inaugura uma nova etapa da caminhada da Diocese de Ponta Grossa. A partir da acolhida das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora, o conteúdo refletido durante o encontro deverá chegar às comunidades, conselhos, pastorais e movimentos.
O próximo passo será a construção do novo Plano Diocesano de Pastoral, em comunhão com a Igreja no Brasil e atento à realidade local. No centenário da Diocese, a Assembleia se tornou um convite para recordar com gratidão, discernir com responsabilidade e sonhar, juntos, os novos passos da missão.