Dez anos depois de sua aprovação, o Documento 105 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) voltou ao centro da reflexão. Desta vez, para recordar que o chamado dos leigos e leigas não termina à porta da igreja: ele se estende às ruas, ao trabalho, à política e a todos os espaços onde a vida acontece.
O aniversário do documento foi celebrado durante uma assembleia de leigos e leigas da Província Eclesiástica de Curitiba, realizada no sábado, 15 de agosto, na Faculdade Vicentina, em Curitiba. O encontro reuniu 35 participantes da Arquidiocese de Curitiba e das dioceses de Ponta Grossa, Paranaguá, São José dos Pinhais, Guarapuava e União da Vitória.
Aprovado há uma década, o Documento 105, intitulado Cristãos leigos e leigas na Igreja e na sociedade: sal da terra e luz do mundo, retomou e aprofundou a participação dos leigos na vida eclesial e na transformação da sociedade. “Chamados pelo Batismo e pela Crisma ao seguimento de Jesus Cristo, os leigos e as leigas assumem a responsabilidade de serem sujeitos na Igreja e na sociedade: sal e luz!”, afirma o texto.
A condução de boa parte dos trabalhos ficou sob a responsabilidade do professor Laudelino Azevedo, integrante da Comissão de Assessoria Permanente do Conselho Nacional dos Leigos do Brasil (CNLB). Ele apresentou um breve histórico da elaboração, aprovação, recepção e divulgação do documento, além de abordar seus legados e desdobramentos práticos.
A exposição ofereceu aos participantes uma “chave de leitura”, com as principais ideias de cada tópico. Segundo Laudelino, o encontro serviu como um “aperitivo” e um convite para que o texto completo seja retomado e aprofundado. “Muito importante será retomar o documento completo para aprofundamento e descoberta de novas luzes que, certamente, surgirão”, afirmou.
Uma missão para além do templo
Durante a tarde, o arcebispo metropolitano de Curitiba, Dom José Antônio Peruzzo, falou aos participantes sobre a presença dos leigos nos diferentes ambientes da sociedade. Ele recordou que essa atuação não pode ficar restrita ao templo e aos serviços pastorais.
“É muito pouco. É preciso partir de uma verdade interiorizada e apresentar Jesus Cristo ao mundo. Afinal, a Igreja foi enviada ao mundo, e não o mundo à Igreja”, enfatizou.
Dom Peruzzo recordou que Jesus caminhava entre diferentes pessoas e realidades, inclusive em meio às contradições de seu tempo. Para o arcebispo, reconhecer-se apóstolo significa seguir os passos do Mestre, sair em missão e anunciar. “O Mestre vai à frente do discípulo. O Mestre é bom, o discípulo é bom; o Mestre se compadece, o discípulo se compadece. Reconhecer-se apóstolo é sair em missão, anunciar”, resumiu.
Para Luzia Favetta, coordenadora da Região Sul do Centro Nacional de Fé e Política Dom Helder Camara (Cefep), a formação ofereceu direcionamentos importantes para o exercício da fé. “Que nós, enquanto cristãos leigas e leigos, possamos ser iluminados pelo Espírito Santo do Senhor e tenhamos discernimento em nossas ações, inclusive nas nossas futuras escolhas”, avaliou.
Representando o Conselho Nacional do Laicato do Brasil em Ponta Grossa, Adrianis Galdino Júnior destacou a riqueza da experiência vivida durante a assembleia. “Só tenho a agradecer pelo dia tão rico, fraterno e repleto de aprendizado. Estamos no caminho! O CNLB vai se consolidando e, a cada dia, somos chamados a ser mais sal e luz no mundo, colocando nossa fé a serviço da vida e da missão”, afirmou.
Além de Adrianis, participaram pela Diocese de Ponta Grossa Roberto Mistrorigo Barbosa, Claudimar Barbosa, Laertes de Freitas, Ana Paula Andrade, Claudia Aparecida Carneiro, Giovana Dalazoni Kobellache e Márcio Geraldo Kobellache.