Vozes vindas de diferentes regiões do Brasil encontraram-se sob o mesmo teto, aos pés de Nossa Senhora Aparecida: histórias e chamados distintos, reunidos como expressão de uma Igreja que encontra na comunidade o lugar para escutar, discernir e responder ao chamado de Deus. Entre os cerca de mil participantes do 5º Congresso Vocacional do Brasil, realizado de 4 a 6 de setembro, também estavam representantes da Diocese de Ponta Grossa.
Participaram Padre Hélio Guimarães, reitor do Seminário São José; Padre Daniel Farago, reitor do Seminário Propedêutico Mãe da Divina Graça; Frei David Naime Fioravante, vigário da Paróquia Senhor Bom Jesus e animador vocacional; irmã Denilce Freitas, da Congregação das Servas de Nossa Senhora da Anunciação; e Irmã Gerci Lopes de Souza, da Congregação das Irmãs Servas do Espírito Santo.
Com o tema “Comunidades vocacionais: encontro, testemunho e missão” e o lema “Perseverantes e bem unidos, partiam o pão pelas casas” (At 2,46), o Congresso refletiu sobre a responsabilidade de toda a Igreja no despertar, no discernimento e no acompanhamento das diferentes vocações.
A programação, conduzida sob a presidência de Dom Ângelo Ademir Mezzari, bispo referencial da Comissão Episcopal para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), percorreu três dimensões: a memória da animação vocacional, a fé vivida nas comunidades e a contribuição da comunicação e das juventudes para uma cultura vocacional.
Uma caminhada iniciada nas comunidades
Para padre Hélio, a experiência em Aparecida representou a chegada de uma caminhada iniciada ainda no ano anterior. A partir do texto-base do Congresso, a temática foi trabalhada na Diocese com o Movimento das Capelinhas, as equipes vocacionais paroquiais e os vocacionados. “Foi uma grande alegria poder participar do Congresso Vocacional Nacional, não apenas por causa desses três dias, mas por ter acompanhado todo esse tempo de preparação”, contou o reitor do Seminário São José.
A diversidade reunida no evento tornou visíveis as muitas maneiras de responder ao chamado de Deus. “O encontro, por si só, já é um momento muito especial, porque reúne a diversidade vocacional no Brasil. Nas palavras do Papa Francisco, uma verdadeira sinfonia vocacional”, destacou.
Padre Hélio também integrou a equipe responsável pela elaboração das atas do Congresso. O trabalho envolveu o acompanhamento das conferências, das partilhas da assembleia e das respostas dadas pelos assessores às dúvidas e inquietações dos participantes.
“Foi uma riqueza muito grande poder trabalhar na equipe de atas, porque isso possibilitou uma aproximação ainda maior com todo o conteúdo que foi sendo elaborado”, afirmou. O material reúne contribuições de um processo de escuta desenvolvido ao longo de dois anos nas paróquias, dioceses e regionais da CNBB. A síntese deverá colaborar com os próximos direcionamentos para a animação vocacional no Brasil.
Uma missão de toda a Igreja
As reflexões reforçaram que não há vocação sólida sem vida comunitária e que todas as pastorais possuem uma dimensão vocacional. A partir da vocação batismal, cada pessoa é chamada a discernir sua maneira de servir à Igreja, seja no matrimônio, na vida consagrada, no ministério ordenado ou na missão dos cristãos leigos e leigas.
Para irmã Denilce, da Congregação das Servas de Nossa Senhora da Anunciação, o encontro provoca a superação de iniciativas isoladas. “O 5º Congresso Vocacional do Brasil nos instiga a sair de uma animação vocacional pontual para o dinamismo de um serviço que abraça a vivência cristã desde o seu início até a finitude natural da vida, de forma integral e integradora”, afirmou.
Irmã Gerci, da Congregação das Irmãs Servas do Espírito Santo, definiu o Congresso como um momento de encontro, formação, reavivamento da fé e aprofundamento. Para ela, estar na casa da Mãe Aparecida foi “um privilégio e uma graça especial de renovação espiritual”, em uma caminhada construída na unidade e na diversidade.
Frei David também ressaltou o chamado deixado pelo encontro: “Que a cada dia possamos crescer como animadores vocacionais na construção de comunidades vocacionais”.
A participação no Congresso deverá agora ecoar na caminhada da Diocese de Ponta Grossa. O desafio é fazer de cada paróquia e comunidade um lugar de encontro, testemunho e missão, no qual cada pessoa encontre escuta e companhia para reconhecer o chamado de Deus e responder a ele com liberdade e generosidade.