A Paróquia Nossa Senhora do Rosário, em Ponta Grossa, viveu um momento histórico ao iniciar, oficialmente, uma nova etapa de sua caminhada pastoral. Pela primeira vez desde sua criação, em 1942, a comunidade passa a ser conduzida por um padre diocesano, com a posse do padre Jaime Rossa, como pároco. O gesto marca o encerramento de um ciclo de 84 anos de serviço dos Missionários do Verbo Divino.
Conhecida carinhosamente como Igreja do Rosário, a paróquia tem sua história ligada ao crescimento da própria cidade. Ainda em 1898, quando Ponta Grossa dava seus primeiros passos, a capela de Nossa Senhora do Rosário integrava as estruturas da Paróquia Sant’Ana. Ao longo dos anos, a comunidade cresceu, foi ampliada e, em 1942, tornou-se oficialmente a terceira paróquia da cidade, desmembrada das paróquias de Sant’Ana e São José. Seu primeiro pároco foi o padre Antônio Klein, SVD.
A atual igreja matriz, em estilo românico, teve sua pedra fundamental lançada em 1944 e a primeira missa celebrada em 1951. No interior, a riqueza artística ajuda a contar a fé do povo: pinturas murais e mosaicos bizantinos retratam os mistérios do Rosário e acompanham gerações de fiéis que ali rezam, celebram e constroem comunidade.
Mais do que um ato formal, a celebração de posse, no domingo, 08 de fevereiro, expressou o nascimento de um novo tempo pastoral. Durante a missa de posse, como ocorre em todas as posses paroquiais, a Igreja apresentou, por meio de gestos e símbolos litúrgicos, a missão confiada ao novo pároco. Entre eles, a chave da igreja e do sacrário, acompanhada de um momento de oração diante do Santíssimo Sacramento, recordando o cuidado com a casa de Deus e com a Eucaristia; a água do batismo e os óleos santos, sinais da responsabilidade com a iniciação cristã e a vida sacramental; a estola roxa, que remete ao ministério da reconciliação; e o Santo Evangelho, entregue ao sacerdote que assume publicamente o compromisso de anunciar a Palavra e cuidar do povo que lhe é confiado.
A celebração foi presidida por Dom Bruno Elizeu Versari e concelebrada pelos padres: padre Athanagildo Vaz Neto, Chanceler da diocesano e Vigário Judicial, padre Hélio Guimarães, Reitor do Seminário Maior São José, padre Jefferson Sanchez, padre Renato dos Santos (SDB) e padre Casemiro Oliszeski, lideranças paroquiais, fiéis da Igreja do Rosário, paroquianos da São José (última passagem de padre Jaime), também se fizeram presentes para homenagear o novo pároco, em um momento marcado pela fé, comunhão e esperança.
Gratidão aos verbitas
Como parte desse momento de transição, na quinta-feira, 5 de fevereiro, Dom Bruno Elizeu Versari presidiu uma missa em ação de graças pelo serviço pastoral dos padres Petrus Seran Klau, SVD, e Bernardus Sapú, SVD. Durante a celebração, o bispo expressou gratidão pelo cuidado, pela presença missionária e pelo zelo com “este pedaço do povo de Deus”, confiado por décadas aos religiosos do Verbo Divino.
“Essa é a vontade de Deus: a vossa santificação” (1 Ts 4,3)
Ao final, de forma especial, o novo pároco dirigiu sua primeira palavra à comunidade, expressando gratidão, disponibilidade e o desejo de caminhar junto com o povo que lhe foi confiado. A Diocese de Ponta Grossa publica, com exclusividade, a íntegra do discurso do novo pároco, reforçando o compromisso com a transparência, a memória e a comunhão eclesial.
PALAVRAS DO NOVO PÁROCO – 07 DE FEVEREIRO DFE 2026
Neste momento em que assumo a função de Pároco da Paróquia Nossa Senhora do Rosário, em Ponta Grossa, gostaria de dirigir-lhes algumas palavras:
Em primeiro lugar, agradeço a Deus, que no seu Amor e Providência, me chamou à vida e tem me conservado até o presente. Além disso, chamou-me a ser seu filho e ministro. Sei e creio que tudo é dom, que tem sua origem e sua fonte no Senhor de todas as coisas. A Deus, portanto, todo louvor e glória!
Faço menção e agradeço a Dom Bruno, que como bispo diocesano, indicou-me como e onde realizar a vontade de Deus. Muito Obrigado, Dom Bruno!
Igualmente quero manifestar o reconhecimento e gratidão à Paróquia São José, na pessoa do seu Pároco, Pe. Casemiro, que me acolheu no início de 2025, onde puder fazer uma experiência profunda de convivência e amizade na companhia dos hoje sacerdotes, Pe. Jefferson e Pe. Iuri. Muito obrigado!
Não posso deixar de fazer referência aos Padres Missionários da Congregação do Verbo Divino que, desde a criação dessa Paróquia, em 1942, estão à frente da construção e da implantação dos valores do Evangelho nessa porção do povo de Deus. A marca da presença e do espírito missionário de Santo Arnaldo Jansen com certeza permanecerão sempre presentes em nossa memória. Muito Obrigado por todo o trabalho aqui desenvolvido durante esses oitenta e três anos de presença nessa comunidade paroquial.
Caros Paroquianos da Paróquia Nossa Senhora do Rosário! Hoje se abre um novo capítulo na longa história dessa Paróquia. O início das atividades sob a responsabilidade do clero da Diocese de Ponta Grossa nos deve oferecer oportunidade para fazer uma renovada reflexão sobre o que significa ser igreja e corresponder à vocação a qual fomos chamados. Sabemos que Deus nos constituiu como “povo “, como “comunidade”, como “membros” do seu próprio Filho. Isso nos compromete radicalmente.
Eu estou plenamente consciente do que significa ser Pároco de uma Paróquia. Sei que sou chamado a ser “pastor”, o que quer dizer acolher a todos, indicando-lhes o caminho e a direção. Ser “pastor” de todos, especialmente dos que estão mais necessitados. Fui constituído, em primeiro lugar, como alguém que ilumina e alimenta a vida das ovelhas através do anúncio do Evangelho, através da Verdade que salva. “Ai de mim se eu não pregar o Evangelho”, já afirmava o Apóstolo Paulo em Rm 9, 16. Por isso, ao iniciar a missão como Pároco dessa comunidade afirmo que com essa motivação e com esse sentimento recebi a nomeação para continuar e ajudar na coordenação do trabalho evangelizador nessa Paróquia, em consonância com as diretrizes e apelos da ação Evangelizadora da Diocese de Ponta Grossa.
No entanto, espero ainda que a partir do Evangelho, da Palavra de Deus, isto é, a partir de Cristo, todos nós, nos comprometamos a corresponder à vocação à qual fomos chamados. Que a Palavra acolhida, aprofundada, vivenciada, nos leve à participação mais plena e consciente nos mistérios divinos e nos comprometa na construção de um estilo de vida que manifeste a todos que somos verdadeiros discípulos de Jesus Cristo.
Por isso, agradeço de coração a acolhida. Vamos caminhar juntos. Acima de eventuais diferenças de pensamento, de postura ou de comportamento, todos nós temos um só Senhor, uma só Fé, um só Batismo. Vamos caminhar juntos. Que possamos intensificar e aprofundar o sentido de pertença: “preciso amar a minha comunidade e colaborar no seu crescimento”. Caminhar juntos como comunidade que busca ansiosamente um mesmo objetivo, superando toda forma de exclusivismo, comparações e competição. O Documento final do Sínodo dos Bispos sobre Sinodalidade nos pede conversão: conversão pessoal, comunitária, e até mesmo das estruturas. Por isso, espero contar com o apoio e a colaboração de todos: Conselho, Movimentos, Pastorais e Organismos. Somos chamados a construir o presente, atentos às exigências do hoje, em vista do futuro.
Que todos nós busquemos acima de tudo a unidade. Que cada um descubra o que pode fazer, o que está ao seu alcance para que todos estejamos à disposição na construção da nossa Paróquia. Mais uma vez eu peço: vivamos o hoje, o presente, sem comparações que prejudiquem a caminhada. Cultivemos o desejo sincero de contribuir para o bem de todos. Que todos sejamos verdadeiros evangelizadores, com espírito e disposição, o que supõe desenvolver o prazer espiritual de estar próximo à vida das pessoas, até chegar a descobrir que isso se torna fonte de uma alegria superior. A missão é uma paixão por Jesus e simultaneamente uma paixão pelo seu povo.
Portanto, todos nós peçamos que Deus nos conceda a sua força nessa tarefa de sermos construtores da comunhão e da unidade. Que Maria Santíssima, a Virgem do Rosário, interceda junto a Deus para que se realize o que São Paulo escreve na sua Primeira Carta aos Tessalonicenses e que eu tomei como lema da minha Ordenação Presbiteral: “Essa é a vontade de Deus: a vossa santificação” (1 Ts 4,3).
Muito Obrigado!