Liturgia, a importância de celebrar plenamente
Professor Felipe Koller fala da necessidade de se reeducar
05.05.2025 - 20:04:54

“A Liturgia pela qual, especialmente o sacrifício eucarístico se opera o fruto da nossa redenção, contribui em sumo grau para que os fieis exprimam na vida e manifestem aos outros o mistério de Cristo e a autêntica natureza da verdade Igreja”. Com essa citação que faz referência ao número 2 da ‘Sacrosanctum Concilium’, a Constituição Conciliar sobre a Sagrada Liturgia, padre Alvaro Luiz Martins Nortok, assessor diocesano da Pastoral de Liturgia, fez um especial agradecimento pelo sucesso do Encontro Diocesano de Liturgia, ocorrido ontem (4), com mais de 314 pessoas, vindas de paróquias de todas as partes da Diocese. O bispo Dom Bruno Elizeu Versari esteve com os agentes pastorais, na Matriz da Paróquia Santo Antônio, em Ponta Grossa.
O assessor foi o professor doutor Felipe Koller, do Studium Theologicum, em Curitiba, que é membro da equipe de reflexão da Comissão Episcopal para a Liturgia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Ao longo do dia, o professor abordou a celebração eucarística como um todo, fazendo uma introdução detalhando a história da celebração e entrando na Liturgia da Palavra, na Liturgia Eucarística, no sentido que a celebração tem, no modo de celebrar, se aprofundando na própria celebração da Eucaristia. “O grande desafio é o que o querido Papa Francisco deixou na Carta Apostólica sobre a formação litúrgica, a Desiderio desideravi, de 2022, que é o fato que precisamos nos reeducar para a linguagem simbólica. Sem linguagem simbólica não se celebra a Liturgia. Essa é uma tarefa muito delicada”, afirmou Koller.
A dificuldade, segundo o professor, está em não se celebrar pensando só nas regras de como se celebra, no significado teórico do que está fazendo, “mas para que se celebre com todo o nosso ser: nosso corpo, nossos gestos... para que todo o nosso corpo, nossa vida, seja envolvida pela Liturgia e ela não se torne uma explicação de algumas coisas, ou, o cumprimento de algumas regras, mas, de fato, algo celebrado, vivido plenamente com tudo aquilo que a gente é. Essa é a dificuldade de nos reeducarmos para este tipo de linguagem, nos reeducarmos para sermos celebrantes plenamente. Dou como exemplo a Liturgia da Palavra. Muito simples, muito fácil. É só sentar e escutar, mas como a gente tem dificuldade de escutar, de estar plenamente presente e com os nossos ouvidos acompanharmos o que está sendo narrado da história da salvação, em comunidade, em assembleia”, argumentou.
Sobre o uso de telões nas celebrações, professor Felipe Koller lembrou que a Liturgia pede uma atenção tão delicada ao real, ao concreto diante de nós, ao outro que está do meu lado, ao pão, ao vinho que se come como corpo e sangue de Cristo, que, às vezes, o telão acaba tomando a centralidade. “Nos distrai disso tudo. Nos deseducada para a atenção real, para o tato. O uso deve ser com moderação, sempre que seja realmente necessário. Por exemplo, para os cantos, pode ser um recurso, mas é muito melhor que se incorpore os cantos ou se tenha outro recurso para acompanhá-los. Para a Liturgia da Palavra é muito melhor que simplesmente se escute a Palavra proclamada, bem proclamada, em um ambiente de silêncio, de contemplação. Isso tudo nos educa de verdade para uma celebração mais plena”, orientou.
Dom Bruno
O bispo Dom Bruno insistiu que, na celebração, tudo tem de conduzir para o mistério. “Quem ama a Liturgia precisa estudá-la. Cantar cantos litúrgicos, com ritmos litúrgicos. Devemos nos preparar bem e sempre perguntar: o que vamos fazer vai ajudar o povo a rezar? Converge para o mistério celebrado? É necessário? Celebrar bem é a melhor catequese que se tem de Liturgia. No compasso, no tempo, no silêncio. Existe na Liturgia espaço de silêncio, em que não se deve fazer nem mesmo fundos musicais ou inventar cantos. No silêncio Deus fala e a gente tem medo de ouvir. Não tenham medo de ouvir. Faz parte. Não é o padre que está perdido. É importante para assimilar o que está celebrando”, explicou o bispo.
“Gratidão a vocês pelo tempo de dedicação. Sempre converso com os padres, peço cuidados. Não tem que colocar coisa, tem de diminuir coisas, dar valor, significado ao que celebramos para celebrar bem, com intensidade, com profundidade. Louvo e agradeço a vocês pelo apoio”, reforçou.
Formação
De acordo com padre Alvaro, no encontro de Liturgia se manifesta um desejo muito grande do aprendizado litúrgico, que é mais do que fazer gestos, ritos, dentro da igreja, mas é compreender aquilo que está realizando. “Quanto mais compreendo o que estou realizando, mais eu posso mergulhar nesse grande mistério de Deus, no mistério pascal de Cristo. O professor trouxe essa importância do mistério e também da presença de Deus na vida das pessoas com uma grande beleza, simplicidade e, ao mesmo tempo, com profundidade. Agradecemos muito”, ressaltou.
O assessor diocesano reforçou a importância da formação permanente na Liturgia, defendida pelo bispo Dom Bruno, citando que os encontros precisam acontecer duas vezes por ano, além da escola litúrgica (com aulas semanais), da formação das paróquias e das formações online, “tudo para que se tenha harmonia, especialmente, junto com os padres. Isso ajuda muito para que a celebração possa ser realizada com amor, devoção, piedade e, ao mesmo tempo, seja vivido aquilo que a Igreja nos propõe. Isso é o mais bonito. Foi um grande momento de abastecimento da nossa fé. Vão voltar para as paróquias animados. Agradeço a Deus em primeiro lugar por estar proporcionando esses momentos. Que o Espírito Santo guie as equipes de liturgia!”, enfatizou.
As equipes contemplam especialmente as equipes de celebração na Santa Missa ou em outros sacramentos. Elas compõem um todo da celebração eucarística: presidente da celebração, cantores, ministros, servidores do altar, leitores da Palavra, equipe de projeção e acolhida.
