Retiro do clero de Ponta Grossa aprofunda oração e escuta
No silêncio e nos gestos de cuidado, sacerdotes renovaram o encontro com Deus
02.10.2026 - 10:01:12

Deus pode ser escutado na Palavra proclamada, no silêncio da capela, nas meditações que acompanhavam o dia. Para o padre Silvio Mocelin, 89 anos, vigário na Paróquia Nossa Senhora de Guadalupe, a presença se deixava reconhecer também à mesa: no alimento preparado com carinho, na atenção de quem servia e no sorriso das pessoas que serviam na cozinha ao ver os sacerdotes chegarem para o café. Os olhos que acompanharam tantas histórias da Diocese de Ponta Grossa ainda encontravam razões para se admirar. Depois de tantos retiros, havia uma descoberta a partilhar: Deus fala também por meio das mãos de quem cuida. Parte viva da memória desta Igreja centenária, o sacerdote viveu, junto aos irmãos, mais um capítulo de sua caminhada. Entre os dias 28 de setembro e 1º de outubro, o retiro anual do clero diocesano ofereceu tempo para esse encontro renovado com Deus. Reunidos na Casa de Encontros Santo Antônio, dos freis capuchinhos, em Almirante Tamandaré, 54 padres e o bispo diocesano, Dom Bruno Elizeu Versari, dedicaram quatro dias ao silêncio, à oração e à escuta da Palavra. A orientação foi do padre Clóvis Hernandes, da Diocese de Umuarama, que conduziu um percurso inspirado na espiritualidade inaciana e nos exercícios espirituais. O silêncio acompanhou os participantes desde os primeiros momentos, estendendo-se às refeições e aos intervalos. Entre as reflexões propostas pelo pregador, cada sacerdote encontrou tempo para meditar sobre a Sagrada Escritura e olhar para a própria vida, a vocação e o ministério. Ao recordar a experiência, o padre Silvio, expressou a admiração de quem ainda se deixa surpreender em um caminho tantas vezes percorrido. Sua atenção se voltou à maneira como os irmãos acolheram a proposta. Percebeu o respeito, a concentração e a seriedade com que os sacerdotes se dedicaram à meditação.
Diante da Palavra O padre Hélio Guimarães, reitor do Seminário Maior Diocesano São José, explica que a capela dedicada a Nossa Senhora dos Anjos, o pátio e os demais espaços do convento favoreceram esse contato pessoal e profundo com Jesus Cristo. As passagens bíblicas propostas ao longo dos dias conduziram os sacerdotes a contemplar sua relação com Deus e a missão que exercem nas comunidades. A experiência do profeta Elias, que reconhece a presença divina na brisa suave, e a travessia dos discípulos em meio à tempestade abriram as meditações. A criação, rezada especialmente a partir do Salmo 8, e a caminhada do povo de Deus no êxodo conduziram as reflexões sobre amor, confiança e fidelidade. Na imagem da videira e dos ramos, os padres foram convidados a reconhecer em Cristo a seiva que sustenta o ministério e os ajuda a servir para que as comunidades frutifiquem. Para o padre Clayton Adriano Delinski Ferreira, pároco da Paróquia Nossa Senhora de Guadalupe, uma pergunta acompanhou esses dias: “Qual é a qualidade da minha vida espiritual?”. Em meio às exigências da missão sacerdotal, o silêncio permitiu revisitar o fundamento da vocação e reconhecer os apegos que podem ocupar o lugar pertencente a Deus. “Cuidar da vida espiritual é também aprender a viver com maior liberdade interior”, refletiu. A contemplação da misericórdia encontrou expressão na celebração penitencial, quando os padres atenderam as confissões uns dos outros. Para o padre Clayton, o Sacramento da Reconciliação foi ocasião de se deixar reencontrar por Aquele que o chamou e continua sustentando seu ministério. Depois, o jantar de confraternização abriu espaço para a conversa e a alegria de pertencer ao mesmo presbitério.
O cuidado que também fala de Deus Foi nesse ambiente de oração que o padre Silvio percebeu outra forma de escuta. Enquanto os sacerdotes meditavam sobre a presença de Deus, as pessoas que cuidavam das refeições e do acolhimento. Aos seus olhos, aqueles gestos participavam daquilo que o retiro anunciava. “Deus estava pregando também a nós”, recordou, ao falar do carinho recebido por meio de quem trabalhava na casa. Em uma das manhãs, o sorriso de uma dessas mulheres chamou sua atenção. Ela observava os padres que chegavam, contentes diante da mesa preparada. O sacerdote viu naquela cena uma imagem de Deus contemplando a obra que havia realizado também por meio das mãos de quem servia. O cuidado com o alimento e com a saúde dos padres ganhou, assim, um sentido ligado à própria missão: eles eram amparados para continuar amparando outras pessoas. Na simplicidade daquela manhã, o padre Silvio reconheceu o amor de Deus pelos sacerdotes e fez questão de partilhar essa percepção com uma das mulheres. No último dia, as bodas de Canaã e a pesca milagrosa conduziram as reflexões sobre a presença de Maria e o chamado de Jesus a avançar para águas mais profundas. A missa encerrou os quatro dias de retiro, preparando o retorno às comunidades. “Volto revigorado e confiante, desejando permanecer unido a Cristo”, afirmou o padre Clayton, ao recordar de onde recebe o sustento para a vida e o ministério.
Deus pode ser escutado na Palavra proclamada, no silêncio da capela, nas meditações que acompanhavam o dia. Para o padre Silvio Mocelin, 89 anos, vigário na Paróquia Nossa Senhora de Guadalupe, a presença se deixava reconhecer também à mesa: no alimento preparado com carinho, na atenção de quem servia e no sorriso das pessoas que serviam na cozinha ao ver os sacerdotes chegarem para o café. Os olhos que acompanharam tantas histórias da Diocese de Ponta Grossa ainda encontravam razões para se admirar. Depois de tantos retiros, havia uma descoberta a partilhar: Deus fala também por meio das mãos de quem cuida.
Parte viva da memória desta Igreja centenária, o sacerdote viveu, junto aos irmãos, mais um capítulo de sua caminhada. Entre os dias 28 de setembro e 1º de outubro, o retiro anual do clero diocesano ofereceu tempo para esse encontro renovado com Deus. Reunidos na Casa de Encontros Santo Antônio, dos freis capuchinhos, em Almirante Tamandaré, 54 padres e o bispo diocesano, Dom Bruno Elizeu Versari, dedicaram quatro dias ao silêncio, à oração e à escuta da Palavra.
A orientação foi do padre Clóvis Hernandes, da Diocese de Umuarama, que conduziu um percurso inspirado na espiritualidade inaciana e nos exercícios espirituais. O silêncio acompanhou os participantes desde os primeiros momentos, estendendo-se às refeições e aos intervalos. Entre as reflexões propostas pelo pregador, cada sacerdote encontrou tempo para meditar sobre a Sagrada Escritura e olhar para a própria vida, a vocação e o ministério.
Ao recordar a experiência, o padre Silvio, expressou a admiração de quem ainda se deixa surpreender em um caminho tantas vezes percorrido. Sua atenção se voltou à maneira como os irmãos acolheram a proposta. Percebeu o respeito, a concentração e a seriedade com que os sacerdotes se dedicaram à meditação.
Diante da Palavra
O padre Hélio Guimarães, reitor do Seminário Maior Diocesano São José, explica que a capela dedicada a Nossa Senhora dos Anjos, o pátio e os demais espaços do convento favoreceram esse contato pessoal e profundo com Jesus Cristo. As passagens bíblicas propostas ao longo dos dias conduziram os sacerdotes a contemplar sua relação com Deus e a missão que exercem nas comunidades.
A experiência do profeta Elias, que reconhece a presença divina na brisa suave, e a travessia dos discípulos em meio à tempestade abriram as meditações. A criação, rezada especialmente a partir do Salmo 8, e a caminhada do povo de Deus no êxodo conduziram as reflexões sobre amor, confiança e fidelidade.
Na imagem da videira e dos ramos, os padres foram convidados a reconhecer em Cristo a seiva que sustenta o ministério e os ajuda a servir para que as comunidades frutifiquem. Para o padre Clayton Adriano Delinski Ferreira, pároco da Paróquia Nossa Senhora de Guadalupe, uma pergunta acompanhou esses dias: “Qual é a qualidade da minha vida espiritual?”. Em meio às exigências da missão sacerdotal, o silêncio permitiu revisitar o fundamento da vocação e reconhecer os apegos que podem ocupar o lugar pertencente a Deus.
“Cuidar da vida espiritual é também aprender a viver com maior liberdade interior”, refletiu. A contemplação da misericórdia encontrou expressão na celebração penitencial, quando os padres atenderam as confissões uns dos outros.
Para o padre Clayton, o Sacramento da Reconciliação foi ocasião de se deixar reencontrar por Aquele que o chamou e continua sustentando seu ministério. Depois, o jantar de confraternização abriu espaço para a conversa e a alegria de pertencer ao mesmo presbitério.
O cuidado que também fala de Deus
Foi nesse ambiente de oração que o padre Silvio percebeu outra forma de escuta. Enquanto os sacerdotes meditavam sobre a presença de Deus, as pessoas que cuidavam das refeições e do acolhimento. Aos seus olhos, aqueles gestos participavam daquilo que o retiro anunciava.
“Deus estava pregando também a nós”, recordou, ao falar do carinho recebido por meio de quem trabalhava na casa.
Em uma das manhãs, o sorriso de uma dessas mulheres chamou sua atenção. Ela observava os padres que chegavam, contentes diante da mesa preparada. O sacerdote viu naquela cena uma imagem de Deus contemplando a obra que havia realizado também por meio das mãos de quem servia.
O cuidado com o alimento e com a saúde dos padres ganhou, assim, um sentido ligado à própria missão: eles eram amparados para continuar amparando outras pessoas. Na simplicidade daquela manhã, o padre Silvio reconheceu o amor de Deus pelos sacerdotes e fez questão de partilhar essa percepção com uma das mulheres.
No último dia, as bodas de Canaã e a pesca milagrosa conduziram as reflexões sobre a presença de Maria e o chamado de Jesus a avançar para águas mais profundas. A missa encerrou os quatro dias de retiro, preparando o retorno às comunidades. “Volto revigorado e confiante, desejando permanecer unido a Cristo”, afirmou o padre Clayton, ao recordar de onde recebe o sustento para a vida e o ministério.
Fotógrafo Padre Rodrigo Ribas
